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A VOLTA DO ESPORTE NA PANDEMIA: Até que preço vale o entretenimento?

A pandemia do novo corona vírus mudou o mundo, e isso não é novidade para ninguém. Mais de um milhão e cem mil pessoas morreram por conta de tal enfermidade até o dia que esse texto é escrito (28/10). Muito superior do que foi as outras variações do vírus SARS, e muito mais impactante do que a última pandemia global, causada pelo H1N1, as feridas causadas pelo vírus foram e são inúmeras, e atingiram muitos setores, e um dos que mais sofreram impacto, foi o setor esportivo.

            O corona vírus teve seu início bem explicitado em janeiro de 2020, abalando completamente a China, que sofreu impactos severos, e por conta de todo o turismo do mês anterior, junto com o próprio início de ano, fizeram com que a pandemia começasse a se alastrar pelo mundo inteiro, e um pouco depois do início de março, quase todos os países do mundo já tinham casos registrados. E isso foi como uma facada nos esportes. No início de março, o conselho superior da NBA (liga norte-americana de basquete, tida como a mais forte do mundo), anunciou que a temporada estava paralisada até segunda ordem, principalmente pelos contágios após os primeiros jogos em março. Ainda no mesmo mês, a UEFA (confederação de futebol europeia), anunciou que estava paralisando todos os seus torneios, e adiando a Eurocopa para 2021. Na onda da UEFA, a CONMEBOL (confederação de futebol sul-americana), também anunciou a paralisação de seus torneios, e o adiamento da Copa América também para 2021. Algumas ligas ainda relutavam, mas o golpe de misericórdia que decretava que a situação era insustentável, veio no dia 24 de março – com o COI (Comitê Olímpico Internacional), anunciando o adiamento das Olímpiadas de Tóquio 2020 adiadas para 2021. E com o anúncio da COI, praticamente todos os esportes foram parando pouco a pouco, com exceção de isolados e pouquíssimos países, como a Bielorrússia, que manteve sua rotina normal.

            Ok, as grandes corporações se importaram com o bem maior, e vieram a paralisar seus torneios, em sua maioria por um tempo muito grande. O primeiro movimento de volta ao esporte a se destacar, foi na Alemanha, onde a primeira onda estava bem controlada, e jogos sem público da Bundesliga (a liga nacional) foram autorizados, para encerrar a temporada 2019-20 ainda no prazo, em junho. Ainda que bem criticado, a volta do futebol alemão foi um exemplo, com diversos protocolos de segurança, como testes em massa, poucas pessoas ligadas à imprensa nos estádios, e obviamente, jogos sem público. Isso foi muito bom para o Velho Continente, tanto que outras Ligas Nacionais e os torneios continentais voltaram com os mesmos protocolos da Alemanha, e parecem que deram certo, ao menos até algum tempo atrás. Com a volta dos jogos de seleções, os casos voltaram a aparecer, mas estudiosos dizem que é algo normal, e que infelizmente essa tendência é de manter com casos ativos até uma cura efetiva. Com essa volta futebolística na Europa, obviamente outro mercado gigante em esportes já se movia frequentemente para voltar, e esse mercado era o americano. Podemos dizer que os Estados Unidos tiveram a melhor experiência contra o Corona, e a pior – ao mesmo tempo. Com a volta para o fim da temporada da NBA, além de outras ligas de esportes tradicionalmente americanos, como a MLB, a NFL. Na NBA foi um sucesso extremo, com a bolha organizada pelos comissários, com todos os jogos ocorrendo em Orlando, na mesma arena, e apenas com as equipes que ainda poderiam disputar o título, além de ser terminantemente proibida a saída da mesma bolha. O trabalho árduo foi incrível, os casos de Covid-19 na NBA foram quase inexistentes, mostrando que foi melhor ainda do que a volta do futebol na Europa. Mas, como dito anteriormente, os Estados Unidos também figuraram com o pior setor possível. A volta da NHL e principalmente da MLB (ligas de futebol americano e baseball, respectivamente) são setores de descasos imensos. Com as equipes viajando cidade-a-cidade, jogos em quaisquer lugares e sem nenhuma importância com a saúde dos atletas, vimos bizarrices como jogadores com o vírus atuando normalmente, sendo um péssimo protocolo feito pelas confederações desses esportes.

            Mas talvez, um despreparo maior que todos esses, ocorreu aqui na nossa terra. Com a onda de volta ao redor do mundo, a FERJ (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro), decretou a volta do estadual carioca na pior fase do corona vírus no Brasil. No auge da pandemia, foi feita uma aglomeração imensa para um grande Bangu e Flamengo. Extremamente criticado por veículos de imprensa, a FERJ seguiu e encerrou o Campeonato Carioca. E com o fim dele, e visto uma abertura e um relaxamento das medidas na pandemia brasileira, todos os estaduais pouco a pouco voltaram, e por consequência, os campeonatos nacionais também retornaram. Só que infelizmente, o caso brasileiro não foi nada bom, como foram os exemplos da Europa, ou da NBA nos E.U.A. As bizarrices no futebol brasileiro começaram desde os estaduais, em casos que times jogaram desfalcados por conta de testes, e outras equipes ainda jogaram com jogadores infectados por um talvez ”falso positivo”, ocorrido diversas vezes. Nos campeonatos nacionais, essa situação ficou ainda mais escancarada, com diversas polêmicas ocorridas nessa metade de Campeonato Brasileiro. Goiás, Atlético Goianiense, Flamengo são alguns dos casos que jogaram desfalcados, na elite do futebol nacional, por conta de mais de 10 ou 15 jogadores estarem contaminados. O efeito financeiro na elite, ainda foi pior, Corinthians, Flamengo, Internacional, São Paulo, Santos, Bahia e Palmeiras são alguns dos times que ficaram mais no vermelho por conta da pandemia, tendo de abaixar salários e vender jogadores de maior nível para fecharem contas. Mas se isso foi na elite, como é no resto do futebol nacional, tanto de divisões inferiores, como o feminino? Simples, é pior ainda. A Série D, quarto nível do futebol, já teve quatro desistências antes do início do torneio, além de constantes exposições de falta de recurso das equipes. Vale dizer que na Série B e Série C, a situação também não é boa, tendo em vista que times clássicos, como o Cruzeiro, se afundam em dívidas, vindas de más gerências e agravadas pela pandemia, e equipes menores tem dificuldade de fecharem contas mensalmente. A situação 124 times das quatro divisões, é extremamente desigual, e a pandemia expôs isso, mas trouxe dificuldades para todos. Só que uma situação que é pior ainda do que essa do futebol masculino, são de outros esportes como o vôlei e o basquete, que encerraram suas temporadas de 2020 sem campeões pela pandemia. Vale ressaltar os esportes femininos, já sem incentivo por natureza, tiveram uma queda ainda maior, o campeonato brasileiro de futebol, por exemplo, virou uma várzea maior do que já era, e resultados imensos (como o 29 a 0 aplicado pelo São Paulo feminino no Taboão, pelo campeonato paulista), e times ainda mais desinteressados pela modalidade feminina, causando uma falta ainda maior de recursos, que já eram escassos.

            O Brasil não soube nem de perto como lidar com a pandemia, e os esportes, por mais que divertem e tragam grandes fundos (principalmente de visualizações pela TV), foram corretos em voltar agora? Provavelmente não, foi um projeto extremamente falho em relação ao que foi feito na Europa, e muito longe do ideal, feito na NBA. Por conta dessas tremendas falhas, provável que paguemos caro nos próximos meses e anos – mas logicamente, não é só culpa do esporte.

#ProjetoBlogEPCEnsinomédio

Fontes:

https://globoesporte.globo.com/blogs/blog-do-rodrigo-capelo/post/2020/09/14/efeitos-da-pandemia-nas-financas-dos-clubes-dividas-aumentam-em-mais-de-r-800-milhoes-apenas-no-primeiro-semestre-de-2020.ghtml

https://www.uol.com.br/esporte/colunas/lei-em-campo/2020/07/11/o-futebol-feminino-em-meio-a-pandemia.htm

https://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/noticia/oficial-copa-america-e-adiada-para-2021-por-causa-da-pandemia-do-coronavirus.ghtml

https://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/noticia/imprensa-europeia-aponta-que-uefa-decidiu-pelo-adiamento-da-eurocopa-para-2021.ghtml

https://globoesporte.globo.com/basquete/nba/noticia/nba-divulga-a-tabela-do-retorno-da-temporada-em-orlando-abertura-tera-jazz-x-pelicans.ghtml

https://www.cnnbrasil.com.br/esporte/2020/06/24/liga-de-beisebol-dos-eua-anuncia-retorno-com-temporada-reduzida

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